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Mostrando postagens de 2012

Vícios

Cigarros, meus queridos rolinhos de câncer. Um vício comum e arriscado. Pleno século XXI e ainda há quem veja glamour nessa porcaria. Estou incluída nesse grupo de boçais. Tenho plena consciência de que ao tragar levo 5000 substâncias tóxicas ao pulmão. Sei que o monóxido de carbono gruda na hemoglobina como chiclete no cabelo, e a consequência disso sou eu ofegante em meio lance de escadas. O pior de tudo é que tive exemplos em casa, mas alguns erros são cometidos de novo e de novo, e alguns de nós nunca aprendem. Sim, meus pais tiveram a infelicidade de viver seus 15 anos numa época em que o cigarro pós-coito parecia a melhor experiência que alguém poderia ter. Até hoje pagam o preço. Por que alguém se lançaria nessa dependência a ponto de almoçar sanduíche apenas para ter 6 reais a mais e sustentar o vício? Meus caros, a resposta é simples. Porque temos um neurotransmissor responsável pelas sensações de prazer e bem-estar, a acetilcolina, e parece que vem falhando miseravelmente pr...

Just Sixteen

Assustador, inaceitável, pouca-vergonha, absurdo, sujeira, sacanagem, paradoxo. Amor. Não consigo acreditar que com 35 anos de idade caminhava para minha cama levando no colo uma garota de 16 anos, completamente bêbada. Mas tão linda... O lábio inferior curvado a guisa de sorriso, os dentes da frente ligeiramente maiores, o cabelo comprido bagunçado, a maquiagem borrada... Essa beleza suja me enlouquecia. Ela estava linda antes de sairmos, com salto alto, maquiagem e cabelo impecáveis, mas agora estava incrível. Eu não sabia mais separar nela o que havia de menina e o que havia de mulher. Julie era minha aluna, e garanto que aprendeu muito mais do que história comigo. Eu sei que isso quintuplica toda a problemática do nosso caso, e eu sei o quanto isso soa horrível, mas garanto que não era. Eu já fui casado, eu sou um cara relativamente sério, e não é como se eu procurasse garotas com menos da metade da minha idade para usar. Eu realmente gosto da Julie. Ela chamou minha atenção log...

Machos Covardes

Jaqueta de couro, jeans rasgado, cigarro na mão e guitarra nas costas. Assim, Taylor se aproximou de um aglomerado na frente do colégio. Era uma briga. E pelos cálculos, três contra um. Se algo deixava Taylor irritado era esse tipo de covardia. - O que está acontecendo? - perguntou e tragou seu cigarro. Um dos garotos já havia feito parte de uma banda com Taylor. Ele segurava a vítima da briga pelo braço. Explicou-se: - Essa “bichinha” estava insinuando coisas. Por acaso eu tenho cara de quem gosta de homem? Taylor não respondeu. Ele mesmo não tinha "cara" de nada, de modo que jamais alguém desconfiaria. Há dias se perguntava o que aconteceria se simplesmente assumisse seu relacionamento com Jimmy. Ver aquela briga lhe deu uma resposta. Acontecimentos como o que presenciava agora já eram comuns no colégio e na cidade, e infelizmente apoiados por quem deveria fazer justiça. Nunca se esqueceria de quando um de seus professores tomou o partido de um homofóbico em situação se...

Maybe

- Você pode mudar sua aparência, seu jeito de vestir, seu endereço e seu telefone. Pode se afastar das pessoas e até mudar de nome. O problema é que as memórias são clandestinas incansáveis. Ele concordou silenciosamente. Estavam sentados em um banco no píer. Aquela era uma praia praticamente deserta, perfeita naquela parte do dia em que o sol não era tão forte. O vento brincava com o longo cabelo vermelho da garota, trazendo ao homem ao seu lado perfume e muitas lembranças. Ele entendia perfeitamente o que ela queria dizer. Nenhum dos dois precisava verbalizar alguma coisa, porque ambos sabiam. Mas ela se sentia melhor quando encontrava palavras para seus sentimentos, e ele estava se mostrando um bom ouvinte. Ela continuou. - Eu já estava fugindo quando te conheci. Na minha ansiedade de me livrar da inércia de cidade pequena, parece que engoli o mundo numa colherada só. Foi um alívio saber que outras pessoas também tinham sonhos, e fariam qualquer coisa por eles. Por isso eu te apoi...