Comecei cheirando àquele perfume Carolina Herrera 212. Na manhã seguinte, era uma mistura de suor, cerveja, cigarro e incenso. Tinha o cheiro dele também. "Eu sempre quis conversar contigo, mas nunca tive coragem", e assim seguiu o diálogo que, acima de tudo, me lembrava de todas as coisas que eu sempre quis fazer, mas nunca tive coragem. A primeira delas era uma tatuagem de borboleta, agora já meio apagada por três sessões de remoção a laser, que doíam cada vez mais na pele e no bolso. Aos 14 anos, achei que um desenho como esse, sem significado, seria apenas decorativo. Se ficasse bonito, não teria motivos para me arrepender. Mas a execução ficou uma bosta também. E então, um dia acordei incomodada com a minha própria indiferença conceitual na escolha do desenho. Antes de recorrer às sessões de tortura, tentei atribuir um significado. Transformação. A lagarta detestável que se fechou em um casulo e um dia saiu de lá borboleta. (Eu me identificava bastante com o Chucrute,...
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